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NARRATIVA DE UMA DESPEDIDA

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NARRATIVA DE UMA DESPEDIDA 







Nos teus olhos encontro vida, ainda, 
E uma espécie de encanto, indecifrável, 
Discreto, porque a vida se te finda 
Mas, como tu, directo, franco, afável, 




Pronto pra confirmar que a vida é linda, 
Ainda que tão curta e sempre instável, 
Apesar do pesar com que nos brinda, 
Sendo-te, embora, a morte inevitável. 




E adormeces comigo à tua beira 
Deixando uma mensagem derradeira 
Que criou vida própria e que perdura 

Até hoje e até sempre, enquanto eu viva. 
(trinta e sete anos conta, a narrativa, 
e eu não vos sei dizer se estou madura) 







Maria João Brito

"LA VITA È BELLA"

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“LA VITA È BELLA”
*




Não olho para o Sol, quando se deita,
Antes observo a flor que vai fechando
e a ave que de pronto sai voando
para a ramada que essa flor enfeita.
*




Não olho para o Sol, a estrela eleita
que me fere o olhar, me vai cegando...
Apenas olho a Lua que, brilhando,
fornece a luz que o meu olhar aceita.
*




Mas quando o Sol renasce e eu desperto,
mesmo que esteja o céu todo encoberto
ou brilhe a Lua, ainda não rendida,
*




Renasce em mim o brilho a que me furto
e o dia, sendo longo, é sempre curto
para provar-vos quanto é bela, a vida.
*






CAVALOS DE TRÓIA

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CAVALOS-DE-TRÓIA 





Retiram-se ufanos os beijos deixados 
nos lábios dos fados por deuses humanos... 
Um ano, dois anos, serão já passados 
e ainda lembrados seu espanto - ou seus danos - 





Que, a todos os planos, ficaram guardados, 
já que a beijos dados não se acham enganos 
pois foram humanos, pois foram de fados, 
não de disfarçados cavalos troianos... 





Ah, se eram presentes, dádivas perfeitas 
de bocas eleitas por deuses e crentes 
de gestos decentes, sem mal, sem maleitas, 





De quem tudo aceitas... Mostrar-lhes os dentes? 
Pobres inocentes! Fazer-lhes desfeitas? 
(são curtas ou estreitas as vistas das gentes!) 




...ATÉ A NEVE CHORARÁ NUM DIA QUENTE...

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Apresento-vos o meu quarto livro de poesia. Surpresa para mim, que a sua edição mais uma vez me foi oferecida
pelo "site" HORIZONTES DA POESIA, na pessoa do poeta e grande amigo Joaquim Sustelo.


Não haverá lançamento, nem "vernissage", atendendo ao precário estado de saúde em que me encontro, mas o livro
poderá ser adquirido através dos CTT, contra o depósito de dez euros no NIB abaixo referido, desde que me façam
chegar o nome do/a depositante e uma morada para posterior envio da obra.




Alguns conhecem bem o meu endereço electrónico - e mail - outros, não. Para os segundos recomendo que me enviem esses dados através do Facebook, por mensagem privada. 



(Facebook.com/poetaporkedeusker)


As obras não se encontram na minha posse. O principal objectivo, para além da divulgação da obra, será o de ajudar-me a sobreviver financeiramente e eu tenderia a oferecê-las todas... ou quase todas. Além do mais, não me encontro em condições de sair de casa para proceder ao envio das obras …

CIDADE SEM SENTIDO(S) - Editado e declamado por Albertino Galvão

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A FACE OCULTA DA EMOÇÃO

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A FACE OCULTA DA EMOÇÃO 








Repara como se usa e manipula 
Uma emoção qualquer, a bel-prazer, 
Se a razão não a filtra, nem regula, 
E deixa que ela exerça um tal poder 




Que o que havia de bom nela se anula 
Pra dar lugar ao mau que nela houver 
E te enreda, te prende, te encasula 
Nas mais perversas tramas do teu ser. 




Emoção livre e todo-poderosa 
É cega, é surda, avança impiedosa, 
Não olha a meios pr`alcançar as metas, 




Não tem espírito crítico, nem pensa; 
Ora beija, ora esmaga sem detença 
Homens, mulheres, crianças e poetas. 








MariaJoão Brito de Sousa – 23.05.2018 – 08.01h

MENTE DESCONTÍNUA

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MENTE DESCONTÍNUA 
(segundo R. Dawkins) 




Ó Mente Descontínua, enquanto pensas 
Nos pequenos padrões por que te guias, 
Atenta no que perdes, olha as densas 
Nuvens cinzentas que tu própria crias! 




Razões pra desdizer-te, são imensas; 
Não são poucas as mentes que desvias 
E que submetes às razões pretensas 
Das tuas caprichosas tiranias. 




Repara como o tempo te reduz, 
Como à contradição te leva a luz, 
Enquanto quase nada andaste em frente, 




Porquanto procuraste, salto a salto, 
Encontrar a firmeza do asfalto 
Na fluidez de um fio de água corrente. 








Maria João Brito de Sousa – 14.05.2018 – 19.14h